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Musculação na Infância e na Adolescência
Postado em: 03/08/2011

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                 Pode parecer difícil compreender por que muitas das informações que circulam entre a população e até entre profissionais da saúde e da educação física sobre treinamento com pesos para crianças e adolescentes, apesar de não apresentarem as devidas evidências científicas que as justifiquem, são deliberadamente reproduzidas e, de tão difundidas, acabam adquirindo status de “dogmas”.

                 As investigações sobre a relação atividade física e saúde passaram a ser representadas por pesquisas com metodologia adequada há pouco mais de 60 anos. Fechando o foco de investigação para a relação entre exercícios com pesos e saúde, incluindo o treinamento específico para crianças e adolescentes, as informações são ainda mais recentes e nem sempre disponíveis para profissionais que não estão diretamente envolvidos com a área acadêmica e/ou que não utilizem o exercício como “ferramenta” de trabalho.

                 Antes de repassar as referências específicas sobre o tema, acho conveniente tentar esclarecer o porquê de tantos raciocínios simplistas sobre o suposto comprometimento do crescimento estrutural em adolescentes que treinam com pesos, raciocínios estes, muitas vezes baseados em suposição, extrapolação de resultados, especulação e análise de casos isolados.

                

  • A Medicina, a biologia e outras áreas da saúde absorvem inteiramente seus profissionais, não permitindo o conhecimento de novas pesquisas e técnicas em outras áreas afins, principalmente àquelas relacionadas com o movimento e com a fisiologia do exercício.
  • Quaisquer afirmações com relação à suspensão ou liberação do treinamento com pesos para grupos específicos têm que ser fundamentadas na literatura ou na prática bem sucedida, independente de paradigmas sem fundamento e visão estereotipada sobre academias de musculação. Proibir a prática da Musculação, sem conhecimento dos detalhes da rotina de treinamento do(a) aluno(a) em questão, do nível de conhecimento e supervisão por parte do profissional de Educação Física responsável e principalmente dos inúmeros benefícios que o treinamento com pesos poderá proporcionar é uma atitude precipitada que poderá produzir conseqüências danosas à saúde do praticante.
  • Quando se analisa o risco de determinado procedimento no treinamento é fundamental verificar aspectos como: freqüência semanal dos estímulos, número de repetições, se houve uma preparação prévia, se o aluno apresenta estrutura adequada para suportar tal procedimento e técnica de aplicação.
  • A Tecnologia trouxe para o mercado de exercícios físicos, equipamentos extremamente ergonômicos e anatômicos que permitem a execução de um exercício com a máxima eficiência mecânica e o mínimo de stress articular ou de estruturas nobres como a coluna vertebral. Bancos que imitam as curvaturas fisiológicas; cintos de fixação nas máquinas para evitar impulsos ou perda de contato da coluna vertebral com seu apoio; bancos e apoios reguláveis para qualquer altura, polias de raio variável para evitar oscilações de resistência durante o percurso do movimento e contra-pesos para reduzir ou aumentar a sobrecarga nos ângulos que o professor julgar necessário são alguns dos recursos disponíveis em academias comprometidas com a saúde de seus praticantes.
  • A literatura carece de estudos bem conduzidos sobre a possível relação entre treinamento com pesos e comprometimento do crescimento corporal. Mesmo os poucos estudos (bem antigos, por sinal) ou artigos que mostram lesões em placas epifisárias no treinamento com pesos, apresentam deficiências metodológicas, mostram manipulação de repetições próximas da carga máxima e em exercícios de levantamento acima da cabeça, situações estas que não ocorrem normalmente nas academias, nem com praticantes adultos.
  • O fato da Musculação ser uma atividade individual, permite controle por parte do professor responsável de praticamente todas as variáveis de intensidade : carga, repetições, séries, amplitude de movimento, velocidade de execução, tempo de intervalo, etc. Este controle é difícil em outras atividades tradicionalmente sugeridas para crianças e adolescentes como os esportes coletivos.
  • As atividades ditas “liberadas” para crianças e adolescentes representam, em alguns casos, sobrecarga superior à utilizada na Musculação. Exemplo : Um dos exercícios freqüentemente praticados em aulas de Educação Física Escolar é o “Apoio de frente” (Flexo-extensão dos cotovelos, erguendo o corpo a partir da posição de decúbito ventral), que representa uma so-brecarga aproximada de quase 60% do peso corporal total para os músculos-alvo: peitoral, deltóide anterior e tríceps (agonistas diretos) em uma posição que exige extrema consciência corporal para manter o alinhamento da coluna vertebral e a adequada postura. O exercício similar na Musculação seria o “supino reto” que pode (e deve) ser executado em uma máquina que permite o controle da amplitude do movimento, mantém obrigatoriamente o alinhamento da coluna, já que o aluno executa o exercício em decúbito dorsal ou sentado com encosto anatômico e possibilita a utilização de uma carga muito inferior a 60% de peso corporal. Esta mesma regra vale para inúmeros outros exercícios comuns no dia a dia de crianças e adolescentes: agachamentos, avanços, abdominais com flexão total do tronco, etc.

 

 

             Importa destacar que o profissional responsável pela prescrição e supervisão do treinamento deverá considerar alguns pontos importantes que garantirão a segurança do treinamento com pesos. Como exemplo, seguem algumas perguntas que deverão ter uma resposta muito clara para que realmente a musculação seja uma opção acertada de atividade física para esse público especial:

 

  • Qual o objetivo da realização do treinamento?
  • O ambiente academia de musculação estimula a aderência da criança-adolescente À prática de exercícios físicos?
  • O equipamento se ajusta às dimensões corporais da criança?
  • O esforço é adequado ao estágio de maturação da criança?
  • A prática de outras atividades físicas está sendo devidamente considerada?
  • Existe MOTIVAÇÃO para o treinamento?
  • Quem realmente está interessado na prática da atividade física na academia?
  • A sua academia oferece condições de supervisão adequada para a criança-adolescente?
  • Os profissionais de Educação Física responsáveis pela avaliação, prescrição e supervisão dos exercícios dominam os conhecimentos específicos sobre as adaptações fisiológicas decorrentes do treinamento resistido e as precauções necessárias?

Prof. Rossman Prudente Cavalcante

Diretor Técnico Personal Care  / CREF: 000141




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